Arquiteta Andressa Martinez

Um blog de arquitetura, design e criação

Casas Populares: Minha Casa, minha vida? Junho 1, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 8:07 pm
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Faz tempo que tento escrever um pouco sobre o programa de habitação Social, Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, mas os meus pensamentos sempre me freiam e adiam esse post: será que vale a pena?

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Aproveito o momento para apresentar esse meu simples projeto de habitação popular, uma residência de 55m2 de área útil (interna), em terreno de 150m2, construído na periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em um bairro já consolidado. Compartimentada em sala, dois quartos, cozinha, banheiro e circulação interna, é caracterizada por um volume simples, para facilitar a construção e reduzir os arremates em quinas e cantos durante a fase de acabamento. Localizada em terreno próprio, possui cobertura em laje de concreto e forro de gesso na circulação e áreas molhadas (cozinha e banheiro). As esquadrias são encontradas no comércio local e a fachada externa possui pintura texturizada, que além da durabilidade, reduz o custo de massa corrida nas paredes. Dotada apenas de instalações hidráulicas para água fria e com revestimento cerâmico à meia parede no banheiro e na cozinha, essa é considerada uma casa popular padrão.

No entanto, ao refletir sobre o que é considerado habitação popular no país e, especialmente o que fazemos como profissionais da área, percebo que há uma imensa lacuna em relação ao que os arquitetos gostariam de fazer, o que é financeiramente viável e o que o mercado consumidor pode pagar.

Na prática, casas menores do que 45m2, sem laje de cobertura, geminadas e sem terreno, com chão de cimento queimado não são feitas para durar. Janelas de dimensões reduzidas, em compartimentos pequenos criam áreas pouco ventiladas e iluminadas, enquanto tijolos aparentes envernizados transferem a umidade do exterior para o interior. Na tentativa de reduzir os custos de execução, surgem casas que inevitavelmente serão alteradas pelos futuros moradores, desejosos por um piso mais prático para limpar e uma parede emboçada, “acabada”, onde se possa aplicar cor.

Nesses casos, conjuntos homogêneos tornam-se caoticamente variados na tentativa dos moradores em tornar mais acolhedoras suas próprias residências. Ocupações irregulares, limites, muros e pequenos “puxadinhos” são construídos para demarcar territórios e definir o que é público e privado, em oposição à “socialização” do espaço em frente à casa. Afinal, todos desejam uma vaga para o automóvel, um cantinho para uma bicicleta ou para o seu pequeno jardim, quintal… E, ao longo dos anos, acumulam-se dezenas de intervenções individuais, na adequação do espaço exíguo às necessidades da família.

1.000.000 de casas até 2010! Será que alguém pensou no impacto dessas novas unidades na cidade? Na necessidade de redes urbanas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, pavimentação das ruas, iluminação pública e na criação de serviços de bairro para prover essas famílias com algum serviço público? Há projetos de novas urbanizações ou, as casas crescerão como geração espontânea em grandes loteamentos, movidos à semelhança da auto-construção, porém sob o ponto de vista da iniciativa privada?

Na minha compreensão, um programa eficaz para redução do déficit habitacional deveria seguir a lógica oposta de implementação: começar pela infra-estrutura urbana, com o planejamento de novos bairros na cidade ou através de planos de reestruturação de áreas existentes, com o objetivo de implementar a infra-estrutura necessária para receber as novas famílias. Não se trata apenas de uma questão numérica… É, na verdade, tempo de repensar a cidade e os nossos modelos de urbanização.

 

Antes e depois em arquitetura Março 21, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 5:02 pm
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fachada original (antes), perspectiva do projeto e imagens da reforma (depois)

Aproveito o espaço para postar mais um trabalho finalizado. O desafio desse projeto era ampliar a residência da família sobre o primeiro pavimento, sem alterar a compartimentação existente. Para viabilizar financeiramente a reforma, o maior obstáculo foi utilizar as paredes do pavimento inferior como “guias” para erguer as paredes superiores (“parede-sobre-parede”). Essa estratégia, no entanto, não evitou completamente o reforço estrutural de uma laje e a construção de novos pilares.

A primeira imagem demonstra a residência antes da reforma (apenas com um volume no pavimento superior) e o projeto inicial. Basicamente o projeto dos cômodos foi preservado, exceto o volume de vidro verde da escada (à direita) que não foi executado para redução de custos.

Apesar da grande mudança na fachada principal, nenhuma parede foi demolida ou posição de janelas foi alterado. Apenas a escolha de novas cores, materiais de revestimento e, é claro, o novo volume construído no pavimento superior, completou o projeto.

Aguardo comentários… abs!

 

Muitas cores! O preconceito de uma arquiteta monocromática? Janeiro 5, 2009

Arquivado em: arquitetura, design, interiores — andressamartinez @ 7:04 pm
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Sou partidária das cores sóbrias, da economia decorativista ou dos planos monocromáticos que ampliam os cômodos de uma casa e criam o suporte para a sua ambientação adequada. Para mim, a beleza da arquitetura reside em bons traços, na personalidade dos volumes, no jogo entre cheios e vazios… na entrada da luz em um ambiente.

Por outro lado, olhando para Luís Barragán (… mais informações, de fato, cores ousadas personalizam áreas distintas e ajudam a traduzir os gostos e anseios pessoais. Apesar de algumas tonalidades, conforme identificação dos próprios fabricantes de tintas (suaves, vibrantes, neutros, etc…) adequarem-se melhor ao lazer, outras às residências, ou ainda escritórios e estabelecimentos comerciais, não há regra especial para a escolha das cores. O importante é compreender que as paredes e pisos são o pano-de-fundo para o mobiliário e devem ser pensados como um conjunto maior e harmônico. Na verdade, tenho uma regrinha simples, formatada durante alguns anos de observação: qualidade no acabamento. A preparação adequada da superfície, a regularização correta e minuciosa da parede e uma boa massa (lixa e muita lixa), não apenas facilitam o trabalho de recobrimento, mas embelezam o ambiente e conferem durabilidade à pintura… Afinal, qual seria a diferença entre aquela parede que descascou em poucos anos e a outra que permanece intacta durante o tempo? Umidade, qualidade do material, número de demãos? Tudo isso e, principalmente, acabamento (mão de obra especializada e minúcia na execução).

Aproveitando o tema tintas, confesso que perdi um pouco o preconceito que possuía sobre determinados acabamentos… Continuo não gostando de texturas pesadas, desenhos feitos com espátulas, caiação ou técnicas que parecem ‘artesanais’, denominadas ‘rústicas’. Em minha opinião, envelhecem mais rápido, cansam, acumulam poeira e os reparos são sempre mais difíceis. Indico a tinta texturada, com poucos grânulos e aplicadas em rolos de textura, para empenas laterais de edifícios, muros e garagens devido à rapidez de aplicação e durabilidade. Para o interior, confesso que nunca gostei mesmo…

Mas, como algumas oportunidades surgem para a revisão de determinados valores, há pouco tempo tive uma experiência interessante com uma tinta texturada: a pedido de um cliente, escolhi duas paredes para a aplicação da textura. Apesar da relutância interna, considero essenciais a opinião e os desejos do futuro morador. Optei, então, por uma textura com baixa granulometria, um ‘tom-sobre-tom’ pouco contrastante com as demais paredes e, para a minha felicidade (e dele também), o resultado ficou muito bom e agradável…

Essas são fotos parciais de alguns cômodos ainda em obra, mas a da textura infelizmente não as tenho no momento…

Um abraço,

Andressa