Arquiteta Andressa Martinez

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Diploma para exercício da profissão Junho 25, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 5:38 pm

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Alguns jornais indicam que a queda da obrigatoriedade de diplomas pode se estender a outras profissões, a longo prazo.

Na Semana Passada o STF derrubou a obrigatoriedade do Diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. A decisão é polêmica, divide opiniões e traz a tona uma discussão mais ampla sobre técnica, talento, conhecimento acadêmico e vocação. Fiquei pensando sobre o mesmo caso em Arquitetura….

Historicamente a arquitetura é uma profissão de conhecimento empírico, que nasceu em canteiros de obras, produzida por mestres que aprenderam o ofício através da transmissão secular de determinadas técnicas de construção. A origem da palavra provém do grego, arkhitektôn  (arqui = principal / tectônica = construção), cuja etimologia sintetiza o universo de formação do arquiteto: a obra em si. Na época, o desenho técnico, meio de disseminação e registro da criação arquitetônica, não era nem condição necessária para a execução ou criação de um edifício, muito menos um diploma acadêmico…

Historicamente há dezenas de grandes nomes que de destacaram nas mais diversas áreas do conhecimento sem a formação tradicional necessária: Leonardo Da Vinci, por exemplo, estudou a anatomia humana, porém não era médico ou profissional da área de saúde; pensou em um ‘máquina de voar’, embora não fosse engenheiro mecânico; o pintor-escritor se fez músico, engenheiro, arquiteto, anatomista, astrônomo, matemático, diretor de teatro, escritor, geólogo…  

No campo da arquitetura, o francês Le Corbusier tornou-se um dos mais famosos expoentes do movimento moderno, embora não possuísse especialização na área; o famoso arquiteto japonês Tadao Ando é professor emérito na Universidade de Tóquio, mas não possui nenhuma qualificação formal; o alemão Mies Van der Rohe, que recebeu diversas premiações em arquitetura, começou como desenhista e não possui nenhuma formação acadêmica na área.

Todos os exemplos acima indicam que o diploma universitário não é uma condição indispensável para a emergência de excelentes profissionais, nem para o exercício da profissão. No entanto, levanto a hipótese de que a formação universitária, em meio há uma população mundial crescente, torna-se um mecanismo necessário de regulação e controle social. A sociedade e as cidades sofreram um processo de complexibilização crescente, cujas soluções requerem pensamentos e atitudes integradas, que distanciam-se do simples bom-senso, juizo pessoal de valores, curiosidade ou observação da realidade (não falo apenas sobre a área de projeto e construção).

A universidade é uma encubadora não apenas de novos profissionais, mas de filosofia e pensamento ético sobre a profissão. E ética profissional torna-se cada vez mais necessária para a coesão social em meio há uma população de 6 bilhões de pessoas… Quando se fala na ausência de diploma (e as manchetes dos jornais indicam que outras profissões podem ser ‘contempladas’ a longo prazo), não se pode pensar na minoria talentosa, cuja vocação não foi construída em um banco universitário; deve-se pensar na grande maioria de profissionais que sem a formação universitária não poderiam exercer essas atividades com verdadeira qualidade.

 

One Response to “Diploma para exercício da profissão”

  1. Helena Says:

    Boa tarde! Estava visitando seu site, super interessante!
    Não sei se você pode me tirar uma dúvida: um sofá com duas cadeiras de apoio terão que ser forrados obrigatoriamente com o mesmo tipo de tecido? Grata!


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