Arquiteta Andressa Martinez

Um blog de arquitetura, design e criação

Quarto infantil 2 Novembro 4, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 11:13 pm
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Hoje apresento a marcenaria de um quarto infantil, ainda em execução, para um pequeno rapaz de cinco anos. Esse projeto já foi apresentado, em um post anterior, através das perspectivas e simulações em 3D e na ocasião comentei sobre a importância da flexibilidade e atemporalidade na concepção de quartos infantis. 

A adoção de móveis coloridos, para uma faixa etária muito definida e restrita, demanda alterações em poucos anos para se adequar aos futuros pré-adolescentes. Por esse motivo, o caráter lúdico do ambiente pode ser explorado através de elementos decorativos de mais fácil remoção ou substituição como pintura, papéis de parede, cortinas, tapetes, colchas, almofadas e objetos decorativos. A marcenaria, em geral a parcela mais cara do orçamento, pode se reutilizar e reinventar através de objetos adicionais que imprimem a identidade da faixa etária e prolongam a vida útil do mobiliário. 

Predominantemente em laca branca e peroba mica, o conjunto destaca-se ainda pelos detalhes em vidro incolor e o jateado temperado. A mesa de estudos possui um gaveteiro fixo (à esquerda), com uma porta de correr para a organização de CDs e DVDs. À direita, um carrinho móvel concentra o nicho para aparelhos eletrônicos, além da área para a CPU do computador, oculta pela porta em peroba mica e ventilada lateralmente. Caso não haja a necessidade do computador, o espaço lateral pode ser subdividido através de uma prateleira de vidro e funcionar como porta-livros, DVDs ou organizador de outros objetos. Na parede oposta, o móvel atua como mesa de cabeceira, nicho expositor e mais espaço para guardar-ocultar-organizar as dezenas de brinquedos e objetos infantis.

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mesa de estudos em laca branca, com gaveteiro fixo e carrinho com equipamentos

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Na parede oposta, mesa de cabeceira conjugada à prateleira, nicho expositor e armário superior.

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Perspectiva 3D ilustrativa do quarto

 

O poder da luz: iluminação em arquitetura Outubro 28, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 12:48 am
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Light Design

A manipulação da luz (natural) sempre foi preocupação constante no projeto de arquitetura e interiores. Da arquitetura antiga (Egito, Grécia e Roma), aos vitrais das catedrais góticas ou às casas modernas de Mies Van Der Rohe, conceber um espaço era necessariamente criar condições para a entrada e bom aproveitamento da luz. Mais recentemente, com as inovações tecnológicas  em curso, a iluminação artificial também adquiriu importância crescente na ambientação de espaços e tornou-se uma estratégia-chave para a reinvenção da identidade e reciclagem de ambientes já existentes.

Sistemas de iluminação de fibra-ótica, a enorme gama de lâmpadas, nas mais diferentes temperaturas de cor, de dispositivos eletrônicos para a dimerização e a variedade de refletores e luminárias, permitem a criação quase instantânea de diversos cenários de cor.

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Fotos antes e depois da instalação

As imagens desse post ilustram o projeto de iluminação que fizemos durante o curso de Iluminação para a Arte, ministrado pelo iluminador Rogério Emerson, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Essa instalação foi feita na fachada interna de um casarão em estilo romano, do século XIX, que atualmente é sede da Escola EAV.

No projeto foram utilizadas lâmpadas foco 5, foco 2, par 30, set lights, mini set lights e dicróicas, além de gelatinas responsáveis pelo efeito cromático variado. A montagem durou cerca de 6 horas e o resultado foi a valorização de elementos arquitetônicos marcantes e a criação de um espaço livre diferente e mais convidativo à permanência e interesse do público.

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Crédito das imagens: Fotógrafa Branca Mattos, Cauê Capille e Nathália Rangel

Para completar esse assunto, veja também esse post anterior.

 

Sobre arquitetura ecológica e sustentabilidade… Outubro 15, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 10:32 pm
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 header-logoBlog Action Day 2009

 

 Recebi esse e-mail da Thamires, da Webcitizen, divulgando o Blog Action Day. Como o tema desse ano é Mudanças Climáticas, aproveito a oportunidade para abordar uma questão fundamental em todas as áreas e principalmente na arquitetura e urbanismo. Em itálico está o texto de divulgação da Thamires e abaixo eu completo algumas observações pessoais sobre a questão da sustentabilidade ambiental. Por coincidência, participei hoje de uma aula no curso de Doutorado e minha colega Gisele Barbosa, também arquiteta, apresentou um trabalho extremamente relevante sobre esse tema:

Hoje (15/10), acontece o terceiro Blog Action Day, um evento que convida todos os blogueiros a postarem sobre um mesmo assunto, na mesma data, a fim de colocar o tema em debate na Internet. Neste ano, o tema selecionado foi Mudanças Climáticas. Entre nossas motivações em trabalhar com a mídia social é justamente esta possibilidade de mobilização, articulação e participação da sociedade civil, tanto na solução de problemas, quanto na disseminação de ações positivas e construção do conhecimento coletivo. Por isso, preparamos uma série de posts sobre políticas públicas do Governo de Minas Gerais, relacionadas ao tema. Elas foram divididas conforme as diretrizes da organização do evento: Negócios, Energia, Tecnologia, Saúde, Estilo de Vida, Responsabilidade Social, Arquitetura, Engenharia e Design.”

Envio uma sugestão relacionada a design, arquitetura e engenharia sustentáveis, a partir do projeto coletivo que inaugurou em Belo Horizonte o Reciclo Espaço, um projeto 100% realizado com materiais reciclados – desde os materiais até a decoração. Caso o projeto seja aprovado e a eficácia dos materiais para a construção das casas comprovada, o Governo mineiro deverá incentivar a construção de moradias populares utilizando os mesmos produtos reciclados que estão na constituição da casa exposta no Festival. A ideia é de que ao trabalho sejam incorporadas cooperativas de catadores de lixo, promovendo um tripe entre a economia sustentável, preservação do meio ambiente e inclusão social em proporções inéditas no país.

Como não conhecia o trabalho, excursionei por alguns sites na internet e videos no youtube e realmente a iniciativa é louvável e inovadora: Folhas de aço dobradas e caixas de leite são alguns dos materiais que compõem a estrutura da parede. O mesmo processo acontece com o telhado, feito com tubos de pastas de dente prensados. Um dos arquitetos responsáveis pela obra, Eduardo Maia Memória, afirma que entre seus objetivos, esta criar um produto sustentável, com baixo custo e qualidade alta, que possa proporcionar a construção de mais moradias populares.

Iniciativa semelhante, porém em escala internacional, é o Solar Decatlhon, que na próxima edição contará com a participação de uma equipe brasileira, formada por um consórcio que integra seis universidades nacionais. Soube do projeto através do meu ex-orientador José Ripper Kós, que está atuando ativamente e é reponsável pela equipe da Universidade Federal da Santa Catarina. A proposta da edição de 2010 é a construção de um protótipo de unidade residencial auto-suficiente que incorpore recursos para a eficiência energética e aproveitamento adequado dos materiais de construção. De acordo com a matéria do Jornal O Dia, o protótipo da casa será provavelmente montado na Poli/USP e, segundo a professora Gabriella Rossi, responsável pela participação da Poli/UFRJ, ele prevê a introdução de tecnologias que permitam a eficiência energética e o bom funcionamento da casa. Todo o projeto da casa, desde a forma arquitetônica, passando pela estrutura e equipamentos internos, será estudado para contribuir para construção de uma casa auto-suficiente energeticamente.

Já em terras cariocas, destaco a pesquisa do IVIG|COPPE-UFRJ, o Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, que desenvolve estudos na área de eficiência energética, aproveitamento de materiais e recursos renováveis, através de uma rede virtual, interdisciplinar, que articula diversos centros de pesquisa. Destre os produtos do IVIG, destaco a construção do CETS – Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis, construído na Ilha do Fundão e composto por um protótipo industrial para produção de biodiesel, um edifício-sede de 2 pavtos e um protótipo de habitação social, cujo projeto foi elaborado por mim e Carolina Rezende. Todos os edifícios foram construídos com materiais alternativos como tijolo de solo cimento, esquadrias de bambu, telha de fibra-de-côco, além da preocupação de questões de conforto ambiental, aproveitamento de águas pluviais e eficiência energética. Já falei sobre esse projeto aqui no blog, mas quem tiver mais interesse, selecionei alguns posts anteriores sobre o assunto, inclusive reportagens publicadas e organizadas na minha página ‘na mídia’.

Para finalizar o post de hoje, indico como sugestão de pesquisa, a construção de duas novas cidades completamente sustentáveis: Masdar (Emirados Árabes) e Dongtan (China). Esses projetos ainda são recentes e não foram executados, mas já é possível encontrar referências sobre esses modelos na internet.  Certamente, esses dois exemplos ainda ‘darão muito o que falar’… Mas, deixarei para um futuro post.

Abraços e participem do Blog Action Day!

Andressa

 

Apresentação de trabalho no 46th IFLA Outubro 5, 2009

Entre os dias 21 e 23 de outbro de 2009, apresentarei o trabalho Parque Urbano da Lagoa da Tijuca, no 46th Congresso Internacional da Federação de Arquitetos Paisagistas. Esse projeto foi desenvolvido em 2006 no âmbito do Mestrado no PROURB| FAU- UFRJ, pela equipe composta por mim, arquiteto Frederico Braida e dois estudantes da École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris-Belleville (Aurélia Errath e Antoine Demarest), sob supervisão dos professores doutores José Kós e Raquel Tardin.

Trata-se de um plano integrado de estruturação da Lagoa da Tijuca e a criação de um parque, na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), que trabalha em três niveis de atuação: o sistema hídrico (corredores hídricos), o sistema de espaços verdes (corredores verdes) e edificações do entorno (edifícios-elo). Essas estratégias foram implantadas em estacionamentos de shoppings, condomínios horizontais, condomínio verticais, áreas não consolidadas e favela Rio das Pedras.

Localizado próximo às instalações do futuro Parque Olímpico de 2016, esse projeto de intervenção propõe diretrizes de ocupação e construção para condomínios residenciais, áreas comerciais e outras atividades, ao longo das margens da Lagoa. Certamente, grande parte das questões levantadas durante a análise e elaboração dessas estratégias projetuais englobam a área da vila panamericana e também são válidas para os próximos empreendimentos na região.

Aproveitando a vitória do Rio de Janeiro como sede para as Olimpíadas de 2016, destaco a importância de um projeto de instalações esportivas integrado à paisagem, com o objetivo de conectar visual e físicamente o bairro e as lagoas da região.

Para mais informações sobre o Congresso Internacional 46th IFLA, visite a web do evento.

 

lagoa-tijuca1Fig. 01 | Plano geral de intervenção: corredores verdes, canais hídricos e edifícios elos

lagoa-tijuca2Fig. 02| Estratégias de intervenção para condomínios horizontais

lagoa-tijuca3Fig. 03| Estratégias de intervenção para condomínios verticais

lagoa-tijuca4Fig. 04| Estratégias de intervenção para a margem da Favela Rio das Pedras

 

 

www.andressamartinez.com.br Setembro 1, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 1:13 pm

Olá, gente!

Agora esse blog está chique e possui Domínio Próprio!

O novo endereço é:      www.andressamartinez.com.br

        … E o e-mail :      contato@andressamartinez.com.br

Para receber e-mails-alertas sobre posts desse novo endereço, disponibilizei um link na barra lateral também.

Abraços, 

 

Adesivos de parede – Revista Utilità Recreio Agosto 29, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 12:31 am
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Complementando o post sobre adesivos de parede, publicado aqui no blog em dezembro de 2008 (leia aqui), escrevi um pequeno texto sobre o mesmo assunto para a coluna de decoração da Revista Utilità Recreio Online (edição agosto de 2009). Para acessar o texto na íntegra, acesse o site da revista:

Abaixo, segue uma parte da notícia e imagem de divulgação:

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É natural observarmos um espaço e sentirmos vontade de mudá-lo. Em muitos casos, não são necessárias grandes alterações, mas simplesmente a adição de um detalhe, um ‘toque pessoal’. Os adesivos de parede são uma excelente opção para ‘humanizar’ o ambiente e traduzir a personalidade do morador. Práticos de usar, eles ganharam mercado e fazem parte da decoração de interiores em residências e estabelecimentos comerciais. Com diversas dimensões, grafismos e cores (sóbrios, divertidos ou delicados), eles podem ser aplicados em qualquer superfície lisa (vidros, espelhos, paredes ou painéis), e, realmente, alteram um ambiente (…) Leia mais…  

 

 

Diploma para exercício da profissão Junho 25, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 5:38 pm

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Alguns jornais indicam que a queda da obrigatoriedade de diplomas pode se estender a outras profissões, a longo prazo.

Na Semana Passada o STF derrubou a obrigatoriedade do Diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. A decisão é polêmica, divide opiniões e traz a tona uma discussão mais ampla sobre técnica, talento, conhecimento acadêmico e vocação. Fiquei pensando sobre o mesmo caso em Arquitetura….

Historicamente a arquitetura é uma profissão de conhecimento empírico, que nasceu em canteiros de obras, produzida por mestres que aprenderam o ofício através da transmissão secular de determinadas técnicas de construção. A origem da palavra provém do grego, arkhitektôn  (arqui = principal / tectônica = construção), cuja etimologia sintetiza o universo de formação do arquiteto: a obra em si. Na época, o desenho técnico, meio de disseminação e registro da criação arquitetônica, não era nem condição necessária para a execução ou criação de um edifício, muito menos um diploma acadêmico…

Historicamente há dezenas de grandes nomes que de destacaram nas mais diversas áreas do conhecimento sem a formação tradicional necessária: Leonardo Da Vinci, por exemplo, estudou a anatomia humana, porém não era médico ou profissional da área de saúde; pensou em um ‘máquina de voar’, embora não fosse engenheiro mecânico; o pintor-escritor se fez músico, engenheiro, arquiteto, anatomista, astrônomo, matemático, diretor de teatro, escritor, geólogo…  

No campo da arquitetura, o francês Le Corbusier tornou-se um dos mais famosos expoentes do movimento moderno, embora não possuísse especialização na área; o famoso arquiteto japonês Tadao Ando é professor emérito na Universidade de Tóquio, mas não possui nenhuma qualificação formal; o alemão Mies Van der Rohe, que recebeu diversas premiações em arquitetura, começou como desenhista e não possui nenhuma formação acadêmica na área.

Todos os exemplos acima indicam que o diploma universitário não é uma condição indispensável para a emergência de excelentes profissionais, nem para o exercício da profissão. No entanto, levanto a hipótese de que a formação universitária, em meio há uma população mundial crescente, torna-se um mecanismo necessário de regulação e controle social. A sociedade e as cidades sofreram um processo de complexibilização crescente, cujas soluções requerem pensamentos e atitudes integradas, que distanciam-se do simples bom-senso, juizo pessoal de valores, curiosidade ou observação da realidade (não falo apenas sobre a área de projeto e construção).

A universidade é uma encubadora não apenas de novos profissionais, mas de filosofia e pensamento ético sobre a profissão. E ética profissional torna-se cada vez mais necessária para a coesão social em meio há uma população de 6 bilhões de pessoas… Quando se fala na ausência de diploma (e as manchetes dos jornais indicam que outras profissões podem ser ‘contempladas’ a longo prazo), não se pode pensar na minoria talentosa, cuja vocação não foi construída em um banco universitário; deve-se pensar na grande maioria de profissionais que sem a formação universitária não poderiam exercer essas atividades com verdadeira qualidade.

 

Marca Instituto de Olhos Costa Verde Junho 10, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 12:22 am
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Estudo da marca para o Instituto de Olhos Costa Verde.

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Casas Populares: Minha Casa, minha vida? Junho 1, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 8:07 pm
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Faz tempo que tento escrever um pouco sobre o programa de habitação Social, Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, mas os meus pensamentos sempre me freiam e adiam esse post: será que vale a pena?

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Aproveito o momento para apresentar esse meu simples projeto de habitação popular, uma residência de 55m2 de área útil (interna), em terreno de 150m2, construído na periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em um bairro já consolidado. Compartimentada em sala, dois quartos, cozinha, banheiro e circulação interna, é caracterizada por um volume simples, para facilitar a construção e reduzir os arremates em quinas e cantos durante a fase de acabamento. Localizada em terreno próprio, possui cobertura em laje de concreto e forro de gesso na circulação e áreas molhadas (cozinha e banheiro). As esquadrias são encontradas no comércio local e a fachada externa possui pintura texturizada, que além da durabilidade, reduz o custo de massa corrida nas paredes. Dotada apenas de instalações hidráulicas para água fria e com revestimento cerâmico à meia parede no banheiro e na cozinha, essa é considerada uma casa popular padrão.

No entanto, ao refletir sobre o que é considerado habitação popular no país e, especialmente o que fazemos como profissionais da área, percebo que há uma imensa lacuna em relação ao que os arquitetos gostariam de fazer, o que é financeiramente viável e o que o mercado consumidor pode pagar.

Na prática, casas menores do que 45m2, sem laje de cobertura, geminadas e sem terreno, com chão de cimento queimado não são feitas para durar. Janelas de dimensões reduzidas, em compartimentos pequenos criam áreas pouco ventiladas e iluminadas, enquanto tijolos aparentes envernizados transferem a umidade do exterior para o interior. Na tentativa de reduzir os custos de execução, surgem casas que inevitavelmente serão alteradas pelos futuros moradores, desejosos por um piso mais prático para limpar e uma parede emboçada, “acabada”, onde se possa aplicar cor.

Nesses casos, conjuntos homogêneos tornam-se caoticamente variados na tentativa dos moradores em tornar mais acolhedoras suas próprias residências. Ocupações irregulares, limites, muros e pequenos “puxadinhos” são construídos para demarcar territórios e definir o que é público e privado, em oposição à “socialização” do espaço em frente à casa. Afinal, todos desejam uma vaga para o automóvel, um cantinho para uma bicicleta ou para o seu pequeno jardim, quintal… E, ao longo dos anos, acumulam-se dezenas de intervenções individuais, na adequação do espaço exíguo às necessidades da família.

1.000.000 de casas até 2010! Será que alguém pensou no impacto dessas novas unidades na cidade? Na necessidade de redes urbanas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, pavimentação das ruas, iluminação pública e na criação de serviços de bairro para prover essas famílias com algum serviço público? Há projetos de novas urbanizações ou, as casas crescerão como geração espontânea em grandes loteamentos, movidos à semelhança da auto-construção, porém sob o ponto de vista da iniciativa privada?

Na minha compreensão, um programa eficaz para redução do déficit habitacional deveria seguir a lógica oposta de implementação: começar pela infra-estrutura urbana, com o planejamento de novos bairros na cidade ou através de planos de reestruturação de áreas existentes, com o objetivo de implementar a infra-estrutura necessária para receber as novas famílias. Não se trata apenas de uma questão numérica… É, na verdade, tempo de repensar a cidade e os nossos modelos de urbanização.

 

Intervenções urbanas – Cama de gato urbana Maio 2, 2009

Arquivado em: Uncategorized — andressamartinez @ 5:23 pm
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CONCURSO INTERVENÇÕES URBANAS

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Urban Cat’s cradle game foi a minha proposta enviada para o concurso internacional de intervenções urbanas, Milano Public Design Competition 2009, que está acontecendo em Milão, paralelo ao famoso Salão Internacional do Móvel de Milão. O desafio da competição era propor um objeto urbano nas dimensões de uma vaga de estacionamento (5×2m), que permite a interação, jogo e participação dos pedestres e o público em geral. Felizmente, o meu trabalho foi classificado e selecionado entre os melhores (15-20), dentre mais de 800 propostas provenientes dos cinco continentes!

Para quem não conhece, trata-se de uma cama de gato em escala urbana, onde o desafio é atravessar a trama de fios, sem tocá-la e “acionar” os sinos pendurados. Esse projeto reflete parte do trabalho conceitual desenvolvido em minha dissertação de mestrado.